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Património Construído

Aldeias Históricas

Do conjunto das dez aldeias classificadas como históricas, duas pertencem ao Geopark Naturtejo: Monsanto e Idanha-a-Velha, ambas localizadas no concelho de Idanha-a-Nova.


Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha (Idanha-a-Nova)

A célebre cidade romana Civitas Aegitidanorum (documentada desde o ano 16 a.C.), é referência obrigatória de todos os roteiros arqueológicos de Portugal.

Mas a História de Idanha-a-Velha está repleta de vestígios de outros tempos. Visigodos e árabes, guerreiros medievais, cavaleiros do Templo e "senhores da terra" aqui deixaram as suas marcas.

Do vasto património existente, merece destaque a Catedral visigótica (primitivamente erigida sobre um templo paleocristão), com um baptistério de piscina no exterior, continua a impressionar pela dimensão e pela sua riqueza. Hoje, acolhe um dos conjuntos epigráficos mais importantes referentes ao período da permanência romana na Península.

As Muralhas e Torre de Menagem (com trechos romanos); foram reconstruídas na época medieval, abraçando o povoado com vista à protecção e segurança dos seus habitantes; a torre quadrangular assenta no pódio de um templo romano).

Porta e Ponte Romana do Pônsul (com destaque para pormenores da construção); Pelourinho (século XVI); Capela de S. Dâmaso (século XVIII, com uma fachada sóbria); Museu Egitaniense (repartido entre a Catedral e a Capela de S. Dâmaso).

Mais informação: www.aldeiashistoricasdeportugal.com

Aldeia Histórica de Monsanto (Idanha-a-Nova)

Recebeu em 1938, o título de “Aldeia mais portuguesa de Portugal”. O imponente castelo medieval de Monsanto foi parcialmente destruído pela explosão acidental do paiol de munições, numa noite de Natal, já no século XIX, restando actualmente apenas duas torres, a do Peão e a de Menagem, para além das belíssimas ruínas da Capela românica de S. Miguel (séc. XII).

É também conhecida pelos seus adufes e pelas marafonas. O adufe é um instrumento musical de percussão, de origem árabe, feito de pele de ovelha.
As marafonas são bonecas de trapos, com traje regional, sem olhos, nem boca, nariz ou ouvidos.

Durante a Festa de Nossa Senhora do Castelo, ou das Cruzes, (3 de Maio, ou no Domingo seguinte), cabe às raparigas solteiras transportarem no cortejo as suas marafonas.

(Ver galeria de fotos - Monsanto)

Mais informação: www.aldeiashistoricasdeportugal.com



Aldeias do Xisto

Com um aspecto muito pitoresco, estas aldeias são aglomerados de pequenas construções de carácter popular construídas em xisto. Espalhadas um pouco por todo o Geopark Naturtejo, encontram-se em Proença-a-Nova (Aldeia Figueira), Oleiros (Vila de Álvaro), Vila Velha de Ródão (Aldeia da Foz do Cobrão) e na parte ocidental de Castelo Branco (Aldeia das Sarzedas e Martim Branco). Implantadas normalmente nos declives acentuados que caracterizam a região, o que lhes confere um mimetismo com a paisagem, estas aldeias são locais envoltos numa magia muito própria. O seu valor de conjunto reside na arquitectura simples e despojada das casas e palheiros, trespassadas por ruas estreitas que nos convidam a deambular e a desfrutar da vida serena que por lá se vive.


Martim Branco (Castelo Branco)

Por detrás das casas da última rua, a ribeira de Almaceda faz cantar as águas e os rouxinóis. Lá fora, o forno comunitário ainda exala o cheiro do pão acabado de cozer. Os fornos são os elementos mais interessantes em Martim Branco e o processo da sua recuperação tem contribuído para uma nova vida comunitária na aldeia. Basta provar o pão para perceber porquê.

Num terreno de variados relevos, ora altos ora baixos, ora estreitos ora largos, ora arredondados ora bicudos, é neste tipo de paisagem, ora agreste ora meiga, ora nua ora arborizada, onde os matos a custo desabrocham, “que vive Martim Branco”. Esteios de xisto erguem-se nos quintais. Antes dividiam propriedades, agora unificam a identidade da aldeia. Algumas casas testemunham raro casamento do xisto com granito, união de materiais que garante a qualidade e a perenidade dos imóveis. As portas ostentam belas e vistosas ferragens.

A Aldeia de tão pequena que nos parece imagina-se parada no tempo, entre penedias de xisto e de quartzo, onde todas as casas e construções são modestas mas de uma genuinidade que o tempo não destruiu.

Em Martim Branco há sempre um recanto que nos encanta.

Mais informação em: www.aldeiasdoxisto.pt

Sarzedas (Castelo Branco)

Sarzedas distingue-se pelos traços de cor que lhe marcam as fachadas das casas rebocadas a caminho da Fonte da Vila. Antiga Vila e sede de Concelho, o seu Pelourinho, o Largo, as Igrejas e Capelas, sobressaem de uma malha urbana com casas de belo traçado e volumes grandiosos, que atestam a presença marcante da História da Vila e dos seus habitantes.

No Alto de São Jacinto, junto à Igreja Matriz, o Campanário com a sua Torre Sineira - que ficou da antiga Igreja sobre Outeiro - ergue-se solitário sobre a aldeia. Está-se bem aqui, neste espaço de leitura moderna, a pensar na história deste lugar cujo povoamento se deve a D. Gil Sanches.

Mais informação em: www.aldeiasdoxisto.pt

Figueira (Proença-a-Nova)

Esta Aldeia é mesmo uma “Aldeia”: dizem-nos Bom-Dia as galinhas nos seus poleiros e as cabras de olhos meigos mas desconfiados; a carroça ainda tem o feno, e a horta está mesmo à mão de semear; o forno comunitário ainda tem o quente aroma do pão acabado de cozer.

A envolvência desta Aldeia caracteriza-se pela sua relação ainda muito marcada e activa com o meio rural. A Aldeia de Figueira, pela sua dimensão, proximidade ao IC8, ao aeródromo de Moitas e à Escola de Pára-quedismo, ao Centro de Ciência Viva da Floresta, à Escola de Equitação (em Sobreira Formosa) e à Praia Fluvial de Fróia, está no centro de uma variada oferta turística.

Mais informação em: www.aldeiasdoxisto.pt

Foz do Cobrão (Vila Velha Ródão)

À margem esquerda do Ocreza aflui a ribeira do Cobrão. Foi aí que nasceu a antiga povoação que mais tarde subiu encosta acima, fixando-se num local de magníficas paisagens.

A brancura das suas casas e as pinturas dos socos dá a entender a proximidade do Alto Alentejo. A crista quartzítica da serra das Sarnadas emoldura-a e abriga grifos e cegonhas-negras que, lá do alto, observam rochas com cerca de 500 milhões de anos marcadas pela ondulação e pelos fósseis de um oceano que já não é. O Rio Ocreza espelha-se a seus pés antes de galgar o açude construído há anos.

Nesta Aldeia conjugam-se a paisagem natural esculpida por um Oceano antigo com a imaginação dos homens que ali impuseram a sua cultura agrícola, essencialmente feita de oliveiras em socalcos seguros por muros de xisto: ainda hoje o azeite desta região é de elevadíssima qualidade.

Esta é uma terra onde ainda se revivem essas tradições antigas. Uma das mais interessantes é o garimpo do ouro nas margens do rio Ocreza e na ribeira do Cobrão. Aventure-se a descobrir uma pepita.

Mais informação em: www.aldeiasdoxisto.pt

Álvaro (Oleiros)

A aldeia de Álvaro estende-se lânguida e serpenteante ao longo do viso de uma encosta sobranceira ao Rio Zêzere, acomodada na albufeira do Cabril. Avistada do alto da magistral paisagem que a circunda, parece uma alva muralha que guarda a passagem do rio. É uma das “aldeias brancas” da Rede das Aldeias do Xisto, ou seja, a sua base de construção é o xisto mas a sua evolução histórica incorporou o reboco. O que, no caso desta Aldeia, indicia que teve um passado de grande importância na região e também de alguma riqueza económica.

O seu rico património religioso atesta que esta foi uma povoação importante para as ordens religiosas. Uma ou outra casa tem a cruz da Ordem de Malta que testemunha a sua posse.

A Igreja da Misericórdia exige uma visita, mas para conhecer bem esta Aldeia há que fazer o circuito das Capelas. Nelas encontrará manifestações importantíssimas de arte sacra, desde pinturas a artefactos singulares, como por exemplo uma imagem do Senhor dos Passos, um Sacrário Renascentista ou ainda um Cristo morto com as Santas Mulheres e S. João Evangelista. Em termos de lazer pode banhar-se na piscina flutuante da albufeira do Cabril, ou simplesmente deixar-se ficar no miradouro junto à Igreja Matriz inspirando a paisagem ondulante de montes e serras que se estende até à Estrela.

Se quiser informações mais detalhadas pode obtê-las no Posto de Informação Turística onde em breve funcionará também a Loja das Aldeias do Xisto. Lá, certamente o aconselharão a provar o cabrito estonado, uma das especialidades gastronómicas do Concelho de Oleiros.

Mais informação em: www.aldeiasdoxisto.pt




Castelos e Fortificações

Com um papel importante na defesa do médio Tejo das investidas mouras e Hispano-Francesas, o Geopark Naturtejo está munido de um forte conjunto de castelos, actualmente ainda verdadeiros tesouros de arquitectura.


Fortaleza de Castelo Branco

Do primitivo castelo, edificado pelos Templários, nos inícios do século XIII, pouco resta. A sua localização fronteiriça levou à sua participação em guerras sucessivas que muito debilitaram a sua estrutura.

No recinto desta fortaleza encontra-se a Igreja de Santa Maria do Castelo, antiga sede de freguesia. Era no seu adro que se reuniam a Assembleia dos Homens-Bons e as autoridades monástico-militares, até ao séc. XIV. Ficou quase destruída com a invasão castelhana, após a revolução de 1640. Em 1704 foi de novo incendiada pelos castelhanos. Os soldados de Junot, por ocasião da primeira invasão francesa, deixaram esta igreja completamente em derrocada, tendo servido de cavalariça e depois incendiada.

No seu pavimento encontram-se diversos túmulos. Entre eles destaca-se o de João Roiz de Castelo Branco, célebre poeta do séc. XVI.

A entrada para o antigo terreiro da alcáçova faz-se por um arco redondo, situado por detrás da igreja de Santa Maria do Castelo. Depois de o passarmos, à esquerda, podemos reparar na cisterna primitiva.

Em frente, encontra-se a denominada Torre dos Templários, com janelas ornadas com elementos manuelinos, a antiga fachada do Palácio dos Alcaides.

Ruínas do castelo de Idanha-a-Nova

A vila de Idanha-a-Nova nasceu com a fundação do castelo, no último quartel do século XII, pelo célebre mestre da Ordem dos Templários, em Portugal, D. Gualdim Pais, que da região tomou o senhorio como fronteiro daquele lado dos vacilantes limites da nascente nacionalidade.

As fortificações de Idanha-a-Nova constavam de cerca de muralha com várias torres e portas, envolvendo toda a povoação e da cidadela, com uma alterosa torre de menagem. A cerca amuralhada é de construção mais moderna e tanto esta como a cidadela de Gualdino Pais, sofreram várias reconstruções, mostrando-se hoje tudo bastante arruinado mas susceptivel de obras de conservação e restauração.

Sendo assim, dadas a antiguidade, tanto da cidadela como da muralha de circuito e os factos que ligam a povoação à história do país, a sua conservação impõe-se.

Cerca amuralhada de Idanha-a-Velha (Idanha-a-Nova)

O Castelo de Idanha-a-Velha, que na realidade é apenas uma torre, também designada por Torre dos Templários, terá como o nome indica, sido construída pelos templários que possuíram toda esta região, cedida por D. Afonso Henriques. Mas se este castelo tem pouco para descrever, ele não pode ser dissociado desta povoação, considerada uma das mais antigas do país e cujo conjunto arqueológico e arquitectónico, está classificado como Monumento Nacional.

As escavações realizadas, sobretudo a partir de 1955, pelos arqueólogos, Fernando de Almeida e Veiga Ferreira, levaram a que esta povoação seja considerada como uma aldeia-museu, com um dos mais ricos espólios do país.

A ocupação humana desta região é atestada, pelo menos, desde a romanização da península, podendo já no século II, ter existido uma fortificação bem estruturada. Suevos e Visigodos ocuparam depois esta zona a que chamaram, Egitânia, que viria a cair nas mãos dos muçulmanos.

A sua reconquista por D. Afonso Henriques, por volta de 1160, coloca estes domínios nas mãos da Ordem dos Templários, que terão erguido a Torre de Menagem ou Castelo de Idanha, por volta de 1197.

Castelo de Monsanto (Idanha-a-Nova)

Monsanto é hoje uma pequena vila do concelho de Idanha-a-Nova, tendo sido já povoação importante no tempo dos Romanos.

O seu castelo foi construído no primeiro quartel do século XIII. Em 1658 os espanhóis cercaram-no infrutiferamente. A praça não se rendeu e o exército Castelhano levantou o cerco. Em 1704 um pequeno exército Português sob o comando do Marquez das Minas, junto dos seus muros derrotou outro exército espanhol sob o comando do general D. Francisco Rouquilhos. Monsanto ainda era então uma povoação de relativa importância e praça de guerra de notável valor.

Com a decadência da povoação começou a decadência das suas fortificações abandonadas, que se encontram bastante arruinadas, mais ainda susceptíveis de segura reconstrução, que merecem, pelos importantes factos da história pátria de que foram teatro, tanto mais que seu estado de ruína não é grande.

A grandiosa festa do Castelo ou das cruzes celebra-se no dia 3 de Maio (à excepção se este dia ocorre durante a semana, a festa transita para o domingo seguinte) e é aparentemente enraizada numa tradição pagã, mantendo-se o tradicional lançamento da bezerra e dos potes de barro caiados de branco, ornamentados com lindas flores silvestres simbolizando a lenda do cerco do castelo.

Ruínas do castelo de Penha Garcia

O Castelo de Penha Garcia, admite-se ter sido edificado pelos Templários, sobre uma fortificação romana que fora antecedida por um castro pré-histórico.

Todavia há opiniões no sentido de que a sua edificação se terá iniciado com D. Sancho I, vindo a ser doado por D. Afonso II, à Ordem de Santiago, por volta de 1220. Nesta linha, Castelo de Penha Garcia e os seus domínios, chegam à posse da Ordem dos Templários, pelas mãos de D. Dinis, por volta de 1300, mas regressam à posse da Coroa, com a extinção das ordens, no século XVI. A partir do século XIX, esta edificação militar foi-se degradando e restam apenas fragmentos de muralhas bem conservados.

É um património que não se encontra classificado.

O castelo está ligado a uma lenda, que conta o rapto da filha do governador de Monsanto, D. Branca, pelo alcaide do Castelo de Penha Garcia, D. Garcia. Perseguido pelo pai da jovem, acabaria por ser capturado, incorrendo na pena de morte, todavia D. Branca, apelou ao pai o perdão para o raptor, que em vez da pena de morte, o condenou a ficar sem um braço. Segundo a lenda, o decepado continua a vaguear pelas torres do castelo.

Ruínas do castelo de Nisa

O castelo de Nisa foi mandado erguer por D. Dinis, por volta de 1290, com a ajuda da Ordem do Templo, depois de o antigo castelo e a povoação, terem sido arrasados pelo seu irmão, D. Afonso Sanches, como retaliação pela população de Nisa não apoiar a sua pretensão ao trono.

D. Afonso IV, em 1343, mandou reforçar as defesas da vila, que em viria a apoiar o Mestre de Avis na crise que se iniciou em 1383, e que notabilizou esta vila.

 O conjunto defensivo de Nisa foi bastante danificado durante a guerra da cessão espanhola, cujas forças em 1704, ocupam a vila, esta destruição não viria a ser reparada mas sim agravada no século seguinte, devido ao crescimento urbano.

O que resta do castelo, está classificado como Monumento Nacional, resumindo-se uma parte das muralhas e à Torre de Menagem.

Ruínas do castelo de Montalvão (Nisa)

No local do actual castelo, já existiria no Séc. 12, uma construção defensiva, integrada na Linha do Tejo; 1279 - 1325 - data provavel de construção ou reconstrução do castelo, durante o reinado de D. Dinis hoje em ruínas, era de forma circular. De notar a utilização de pedras de xisto dispostas em espinha, o que constituiu uma técnica construtiva original, quando confrontada com as empregadas em fortificações congéneres. Teria apenas uma muralha, sem torre anexa e acesso por uma única porta, segundo o desenho de Duarte d'Armas. A quando das guerras travadas entre Portugal e Castela, de 1475 a 1478, Montalvão foi violentamente atacada e em parte destruída, apesar das fortificações e muralhas que D. Dinis muito fizera valorizar, a partir dos antigos vestígios.

O ultimo grande combate, deu-se no dia 3 de Junho de 1801, onde com apenas duas peças de artilharia em ferro de calibre onze e outra de calibre sete, mais três rogueiros de ferro( peças de artilharia de pequeno calibre), que estavam virados para as ruas da vila, o governador da praça forte e os poucos soldados existentes, defrontaram as forças invasoras em muito maior numero e melhor armadas, sem nunca pensarem na rendição, deram combate feroz, às forças invasoras.

O comandante Espanhol desistiu de tomar a vila, devido ao fogo aceso proporcionado pelos defensores e devido à posição elevada e estratégica do castelo de Montalvão.

O pequeno castelo e já escalavrado, pelo tempo, resistiu, enquanto praças maiores e melhor apetrechadas de artilharia (Portalegre, Marvão e Castelo de Vide), se renderam vergonhosamente sem darem um único tiro.

Montalvão teve também, a visita do último exercito invasor que passou em Portugal, estamo-nos a referir ao, exercito francês de Napoleão Bonaparte (1810).

Existem relatos escritos por soldados e oficiais franceses sobre a barca de ligação entre margens e sobre os vários açudes e moinhos de água existentes nas margens do rio Sever.

Castelo de Amieira do Tejo (Nisa)

O castelo da Amieira, é suposto, ter sido construído no reinado de D. Afonso IV, por volta de 1350, pela Ordem de São João do Hospital de Jerusalém, a quem o rei D. Sancho II, no século XIII, doou estas terras.

 A posse desta ordem terminou em 1440, no reinado de D. Pedro, devido ao prior da ordem se ter colocado ao lado de D. Leonor de Aragão, no diferendo com D. Pedro, envolvendo forças de Castela.

 O terramoto de 1755, deixou o castelo bastante danificado, tendo sido realizadas algumas obras de restauro, mas só em meados do século XX, já classificado como Monumento Nacional, teve obras significativas de consolidação e restauro, por parte da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

 Este pequeno castelo tem forma rectangular, com quatro torres, cada uma num dos seus ângulos e Torre de Menagem.

Ruínas do castelo do Rei Wamba (Vila Velha de Ródão)

Embora a sua primitiva edificação seja tradicionalmente atribuída a Wamba (672-680), último grande rei dos Visigodos, autores mais modernos acreditam que a estrutura possa remontar a uma atalaia da época da Invasão muçulmana da Península Ibérica.

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, no contexto da afirmação da Independência de Portugal, no século XII, esta estrutura foi reedificada, provavelmente por elementos da Ordem dos Templários, mesma época em que foi erguida uma pequena Capela sob a invocação de Nossa Senhora. Constitui-se efectivamente numa torre-atalaia, erguida numa escarpa sobranceira ao rio Tejo, sobre as chamadas Portas de Ródão, um estreitamento no curso do rio.

Do alto de seus muros, miradouro de visita obrigatória, o visitante descortina excepcional panorâmica do vale do Tejo.

Actualmente, o conjunto foi classificado como Imóvel de Interesse Público, por Decreto publicado em 30 de Novembro de 1993. Nessa época, a torre-atalaia e a Capela de Nossa Senhora do Castelo encontravam-se em avançado estado de degradação, a última vítima de sucessivos roubos.

Desde 1998, a Associação de Estudos do Alto Tejo e a Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão lideram o desenvolvimento de um amplo projecto que visa requalificar e aproveitar esse património.



Igrejas/ Capelas/Lugares Sagrados

Em todas as terras do Geopark Naturtejo, mesmo nas mais pequenas e recônditas aldeias, esperam-no monumentos religiosos marcantes, uns pela sua grandiosidade, outros pela sua simplicidade encantadora. Muitos deles com uma longa existência, alguns remontam aos alvores do cristianismo, como a Sé Catedral de Idanha-a-Velha erigida há mais de um milénio.

A evolução dos estilos arquitectónicos está bem patente nas construções religiosas da região. A simplicidade do românico, evidenciada nas capelas de S. Miguel e de S. Pedro de Vir-a-Corça, em Monsanto, deu lugar à estética refinada do gótico que pode ser apreciada nas capelas de N. Sra. de Mércules, em Castelo Branco, de N. Sra. da Alagada, em Vila Velha de Ródão, e de N. Sra. da Graça, em Nisa.


Sé Catedral de Castelo Branco

A Igreja de S. Miguel, originalmente de traçado medieval, viria a sofrer alterações ao longo dos séculos, sendo, actualmente, predominantes os elementos do Barroco e do Rococó.

Com a criação da Diocese de Castelo Branco, em 1771, a Igreja de S. Miguel foi elevada à dignidade de catedral e alvo de obras de beneficiação. A capela-mor e o seu retábulo datam de 1785. Este retábulo e a Capela do Santíssimo foram valorizados, em 1791, com a colocação de pinturas de Pedro Alexandrino.

 Da fachada principal merece destaque a imagem de S. Miguel.

Ermida de N. Sra. de Mércules (Castelo Branco)

Esta capela, dedicada a Nossa Senhora de Mércules, situa-se a 3 km a Noroeste de Castelo Branco. E terá sido erguida no século XII, por ordem dos templários, os regentes da região, nessa época.

A capela é feita em pedra pequena e, inicialmente, tinha uma só nave quadrangular. Ao longo do tempo sofreu algumas modificações, tais como: a remoção da cobertura, o tecto em madeira pintado; os rasgos para as janelas em vez das frestas; a construção de telheiros e da sacristia e o revestimento das paredes com azulejos azuis e brancos. Actualmente, a capela tem três portais ogivais, um central e dois laterais, em estilo de transição do românico para gótico. O pavimento da capela está num plano inferior ao do terreno tendo-se, por isso, construído cinco degraus para o acesso à entrada.

Ao lado da capela existe uma casa que antigamente alojava os peregrinos e passantes de terras distantes. Servindo, hoje, de habitação à guardiã da capela.

O culto a Nossa Senhora de Mércules é um misto de lenda, de culto pagão e cristão e, talvez por isso, a Ermida que lhe é consagrada apresente diversos estilos e sobreposições.

Uma lenda conta que, o povo albicastrense e a Câmara de Castelo Branco, prometeram à Nossa Senhora de Mércules fazer ali, todos os anos, uma romaria, caso esta fizesse chover e os livrasse da praga de gafanhotos, que destruía as colheitas dos agricultores. A santa livrou o povo da praga e a promessa foi cumprida. Pelo que, todos os anos, na Pascoela, o povo sai dali, em romaria.

Sé Catedral de Idanha-a-Velha (Idanha-a-Nova)

A catedral de Idanha-a-Velha é um edifício que vale por si, pela sua monumentalidade. No entanto, deverão ser criados no seu interior meios que permitam a realização de diversas actividades culturais e lúdicas, nomeadamente exposições temáticas (religião, arqueologia), que deverão atender sempre à especificidade do edifício. A catedral e ruínas envolventes serão dotadas de um sistema de iluminação que a destaque do conjunto arquitectónico. Erigida sobre um templo paleocristão, foi posteriormente uma basílica visigótica. Hoje em dia, constitui um dos conjuntos epigráficos mais importantes relativos ao período da permanência dos romanos entre nós. Dignos de realce são a porta lateral em ogiva e o conjunto de frescos.

Entidade Responsável: Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR).

Igreja Paroquial de Proença-a-Velha (Idanha-a-Nova)

A Igreja Matriz de Proença-a-Velha ou Igreja de Nossa Senhora da Silva, no concelho de Idanha-a-Nova é uma igrejabarroca.

Depois das alterações a que foi sujeita em 1764, data em que terá sido construída, no altar-mor, o actual retábulo é em talha dourada. A ousia, (capela-mor) tinha paredes de muito boa cantaria muito bem obrada e que existiam sobre o arco da ousia as imagens do Crucifixo, de Nossa Senhora e de São João, todas de vulto, grandes e pintadas de novo, com um guarda-pó de madeira por cima.

É hoje aceite que estas três imagens correspondem ao CalvárioGótico que está classificado, juntamente com a Igreja, como Imóvel de Interesse Público desde 2002.

Igreja Paroquial de Salvaterra do Extremo (Idanha-a-Nova)

Igreja provavelmente construída no século XV, composta por uma planta longitudinal com uma nave, uma capela-mor mais estreita e alta, uma sacristia e uma torre sineira.

No interior, destaque para o retábulo de talha dourada do altar-mor e, no exterior, para o campanário.

Igreja Paroquial de Idanha-a-Nova

Reconstruída no século XVI sobre um templo medieval, a sua feição é renascentista, embora a frontaria seja resultado de obras posteriores, assim como a imagem da padroeira, que foi colocada já no século XVII, e as portas, do século XVIII. (Imóvel de Interesse Público)

Capela Românica de S. Miguel (Monsanto, Idanha-a-Nova)

A mais importante Capela de Monsanto é, no entanto, a Capela Românica de São Miguel (em estado de ruína) do século XII. Situada entre o castelo e a torre de vigia medieval, designada de Torre do Peão, ela é indício de uma primitiva povoação - S. Miguel - e sobrepõe-se a um monumento que se supõe de culto a Marte e a outros deuses pagãos.

É rodeada igualmente por sepulturas escavadas na rocha granítica (cemitério paleo-cristão).

Ermida de S. Pedro de Vir-a-Corça (Monsanto, Idanha-a-Nova)

No sopé do inselberg de Monsanto, distante da aldeia, a pequena capela-ermida de São Pedro de Vira-Corça é um dos mais interessantes testemunhos de arquitectura religiosa românica da Beira Baixa.

Sabe-se muito pouco acerca da origem deste templo. Alguns autores relacionaram esta capela com uma provável villa romana, de nome "villa corça". Outros apontaram uma origem ermítica, com base numa lenda que refere a existência de um Santo Amador, que aqui terá vivido em tempos imemoriais. O edifício que hoje vemos data de finais do século XII ou inícios do século XIII, e integra-se num vocabulário estilístico ainda românico. É o mais eloquente testemunho da importância que o local teve para a religiosidade popular da vasta região circundante, bem como para a vitalidade económica da região, na medida em que, algumas décadas depois da sua construção, aqui se instalou uma feira, por ordem de D. Dinis, que serviu, entre outras povoações, a aldeia de Monsanto.

Mais informações: www.igespar.pt

Capela N. Sra. da Graça (Nisa)

O Miradouro de Nossa Senhora da Graça situa-se a cerca de 3km de Nisa, no topo do monte que encima a vila, na bonita Ermida de Nossa Senhora da Graça, datada do século XVI.

A própria vila de Nisa terá tido origem neste Monte, quando ainda apelidada de Nisa-a-Velha, onde existiria um antigo Castro, tendo-se mantido Nossa Senhora da Graça como a Padroeira de Nisa.

Deste miradouro, o panorama é maravilhoso, perdendo-se entre montes de baixa elevação numa região onde o tempo parece ter parado, propondo uma imensa paz de espírito, avistando-se as Serras de São Mamede e da Estrela.

Muito afamada é a Romaria de Nossa Senhora da Graça que aqui tem lugar anualmente na Segunda-feira de Páscoa, e com origens muito remotas, atraindo ao local uma grande quantidade de visitantes.

Ermida de N. Sra. dos Prazeres (Nisa)

Templo do século XVI, reconstruído sobre vestígios de outro, possivelmente do século XIV. O interior apresenta uma abóbada com nervuras, pintadas, tendo ao centro uma Cruz de Cristo. No lugar desta Ermida estão também outras duas igrejas que costumam acolher peregrinações populares por alturas da segunda-feira de Páscoa.

Capela de N. Sra. do Calvário (Amieira do Tejo, Nisa)

Situada no alto de um monte isolado, esta capela do século XVIII é um local de peregrinação de amplas proporções. No seu interior destaca-se o retábulo-mor de cantaria lavrada à imitação de talha. (Imóvel de interesse público)

Capela de N. Sra. da Redonda (Alpalhão, Nisa)

Igreja localizada perto da Ribeira de Sor, com grande beleza e riqueza arquitectónica. Desta riqueza destaca-se: a abóbada de 1564, o altar com traços barrocos e azulejos do século XVIII e a pintura em vermelho tijolo, laranja e branco do tecto da câmara. Também nas paredes laterais poderem ser admirados painéis de azulejos da época barroca de grande simbolismo.

Igreja Matriz de Oleiros

A construção do edifício, dedicado a Nossa Senhora da Conceição, ficou concluída em 1715. De salientar: o altar-mor revestido de azulejos hispano-árabes datados do séc. XVI; paredes laterais revestidas a painéis cerâmicos figurativos datados do séc. XVIII; tecto forrado com caixotões de madeira com pinturas de quadros setecentistas de evocação Mariana.

Contacto:
Centro Paroquial de Oleiros
Telf.: +351 272 682 319

Horário:
Dias úteis e Sábados: 14h00 | 16h00
Domingos: 10h30 | 13h00

Capela da Misericórdia de Álvaro (Oleiros)

Construída nos finais do séc. XVI, possui por cima da porta principal um nicho com uma imagem em pedra, evocativa a Nossa Senhora.

De salientar: a decoração do tecto e os painéis da Via-sacra, do período Filipino; o altar, do início do século XIX, de talha dourada, tem no trono a imagem de Santa Isabel; a devoção das pessoas da região ao Senhor dos Passos encontra-se atestada nalguns quadros de Ex-votos, de madeira pintada a óleo, datados dos séculos XVIII e XIX.

Contacto:
Santa Casa da Misericórdia de Álvaro
Telf.: +351 272 674 205

Horário: Mediante marcação

Capela de N. Sra. da Alagada (Vila Velha de Ródão)

Situa-se junto ao rio, num pequeno monte, e o seu nome fica a dever-se ao facto de, segundo a tradição oral, durante uma grande cheia a sua imagem ter sido encontrada dentro de uma caixa, no local onde depois lhe foi edificada a ermida. Em sua honra realiza-se uma festa anual no 4º fim-de-semana de Agosto.

Circunda este santuário um secular olival, autêntico prodígio da natureza.

Ermida de N. Sra. do Castelo (Vila Velha de Ródão)

A Capela de Nossa Senhora do Castelo em Vila Velha de Ródão é uma antiga ermida que mantém o seu encanto. Pensa-se que foi construída ainda para adoração de cultos pagãos. Outros associam a sua construção à lenda da salvação dos pescadores fluviais pela Nossa Senhora do Castelo. Teriam sido estes a construir a Ermida como retribuição do milagre.



Arqueologia

Todos os indícios da existência humana no passado são de grande valor para a compreensão da História. No Geopark Naturtejo existem inúmeros vestígios da presença de várias civilizações na região. Os mais antigos remontam ao Paleolítico: os artefactos de pedra do Paleolítico Inferior, os objectos de pedra lascada do Paleolítico Médio e os instrumentos de osso do Paleolítico Superior. Para além destes, por toda a região encontram-se inúmeros vestígios arqueológicos de grande relevância.

 

Locais com interesse Arqueológico

Idanha-a-Velha (Idanha-a-Nova): o arquivo epigráfico, as escavações junto à Sé Catedral, os baptistérios suevo e visigótico e a ponte românica.

Monsanto (Idanha-a-Nova): Estação Arqueológica de S. Lourenço

Rosmaninhal (Idanha-a-Nova): aula arqueológica, monumentos e a pequena povoação dos Alares, um tesouro arqueológico.

Estação Arqueológica do Monte de S. Martinho: está inserida no “Triângulo Arqueológico de Castelo Branco” e, segundo reza a lenda, é onde estão soterradas as origens da cidade.

Termas da Fadagosa (Nisa): dólmen de S. Gens.

Vale do Souto (Oleiros): a árula monolítica em granito.

Proença-a-Nova: as estruturas militares edificadas nos séculos XVIII e XIX, utilizadas durante a invasão francesa e a guerra dos sete anos.

Complexo de Arte Rupestre do Vale do Tejo (Vila Velha de Ródão): um dos mais importantes conjuntos de arte pós paleolítico da Europa, constituído por cerca de 30 mil gravuras dispersas ao longo de 40 quilómetros em ambas as margens do rio Tejo.

Vila Velha de Ródão: os moinhos de rodízio, os lagares de azeite, muros, estruturas habitacionais, açudes, antigas vias romanas e a Foz do Enxarique.

 


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Pedro Martins
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